13ª Feira do Livro de São Luís amplia atividades com inclusão e acessibilidade

As ações somam-se a outras implementadas pela gestão do prefeito Edivaldo Holanda Junior que tem como uma de suas bandeiras a inclusão social. 

Pensar sobre inclusão social é pensar sobre acessibilidade atitudinal em primeiro lugar, que se refere a uma educação construída sem preconceitos, estigmas, estereótipos, discriminações em relação a pessoas com deficiência, como determina a Lei 13.146 (lei brasileira de inclusão de pessoa com deficiência), de 2015. Pensando nisso, a 13ª Feira do Livro de São Luís ampliou suas ações com esta temática nesta edição, se preocupando em promover acessibilidade e inclusão em toda estrutura do local, programação e até formação para monitores.

Uma das novidades deste ano foi o Espaço Sensorial, que ofereceu uma série de atividades que permitiram aos visitantes entender um pouco do universo das pessoas com deficiência. A Secretaria Municipal de Educação (Semed) trouxe as Salas de Recurso das escolas municipais, abordando a educação especial para despertar o interesse no público da FeliS. Quem participou das atividades pôde conhecer mais sobre acessibilidade atitudinal - que se refere a uma educação construída sem preconceitos, estigmas, estereótipos, discriminações em relação às pessoas com deficiência - usando recursos especiais para estimular os sentidos do tato, visão e olfato.

No espaço também teve exposição de Língua Brasileira de Sinais (Libras), com mini oficinas e explanação da história da Libras, objetos em Braile como o ábaco, máquina de escrever em braile e entre outros. A programação também estava disponível impressa em Braile em todos os dias. Segundo a professora da área de deficiência visual, Denise da Silva, o objetivo do espaço foi mostrar que a pessoa com deficiência pode estudar e participar de atividades culturais mesmo com as dificuldades.

O Espaço Vale ofereceu a programação com a utilização do recurso audiodescritivo, que amplia a compreensão para pessoas com deficiência visual. No local, o visitante também podia ouvir curiosidades narradas com apoio de imagens ilustrativas, como sobre o Largo do Carmo, ponto turístico da capital. O estande foi estruturado com rampas de acesso para pessoas com deficiência motora.

Durante todos os 10 dias de programação, a 13ª FeliS teve a participação de grupos escolares e visitantes com deficiência, como foi o caso da visitação de mais de 20 crianças autistas – que fazem parte do projeto de assistência social da Defensoria Pública do Maranhão. Eles participaram de atividades no Espaço Criança Semed II - Ensino Fundamental. “Aqui as crianças tiveram acesso a brincadeiras, jogo de dama,pintura facial, contação de histórias, jogo de lego, entre outras atividades. O objetivo foi que elas se sentissem a vontade para brincar e se divertir”, explicou a coordenadora do espaço, Conceição Carvalho. Segundo ela, o local foi pensado para atender todos os tipos de crianças, assim como o restante da Feira.

Além dos espaços inclusivos, a Feira teve também o apoio de profissionais interpretes de Libras, presentes em palestras, conferências, oficinas, espetáculos e lançamentos de livros. O treinamento dos 80 monitores, antes do início da FeliS, foi sobre Acessibilidade Aplicada, para prepara-los para melhor receber os visitantes. A formação foi ministrada pela assessora especial da Secretaria de Estado de Direitos Humanos e Participação Popular (Sedihpop) e Secretaria Adjunta de Pessoas com Deficiência, Alessandra Pajama, que também coordenou um dos projetos que recebeu a Extensão FeliS, o Inclusive Praia, realizado na manhã do domingo (20). O projeto consiste na inclusão do lazer para todos e possibilitou um tempo de apreciação e divertimento na praia para pessoas com deficiência.

Programação inclusiva

A 13ª Feira do Livro de São Luís encerrou neste domingo (20) deixando como legado, além do incentivo a leitura, a apresentação de várias atividades lúdicas, peças teatrais, lançamentos de livros, rodas de conversa e debates abordando temas importantes para a sociedade atual, relacionados à acessibilidade e inclusão. Uma das atrações que contribuiu para isso foi o lançamento do livro ‘A Cigarra Autista’, da compositora, cantora e escritora, Anna Torres.

Lançado em parceria com o renomado escritor Márcio Paschoal, o livro conta com um CD com o texto narrado e músicas. A história também ganha uma adaptação em musical, que será apresentado no Teatro Arthur Azevedo, nos dias 26 e 27 de outubro, às 17h. A fábulada “Cigarra e a Formiga” será recontada de maneira lúdica, mas ao mesmo tempo realista.

O espetáculo traz a Cigarra como uma portadora de autismo, que não é apenas uma grande cantora, mas também uma grande trabalhadora. Nele será abordado a importância do amor, da ética, da tolerância e inclusão dos autistas nas relações humanas. O objetivo é sensibilizar as pessoas e levantar o debate em torno do autismo, além de incentivar os próprios autistas e familiaresa lutarem pelos seus sonhos e superarem desafios.

Idealizadora do projeto, Anna Torres destacou que um dos principais motivos para a realização desse livro foi o diagnostico da sua filha em Transtorno do Espectro Autista (TEA). “O projeto nasceu por uma necessidade, precisávamos debater sobre o tema. Abordamos vários pontos muito importantes para a sociedade atual, desde o respeito, a preservação do meio ambiente, quanto a realização e luta dessas pessoas por seus sonhos, profissionais e pessoais”, ressaltou ela.

Atualmente, a escritora mora na França e o projeto será publicado em forma de livro e musical em diversos idiomas, como português, inglês e francês, e publicado em vários países como Espanha e China. O lançamento oficial do livro na 13ª FeliS e o espetáculo em São Luís abrem a temporada de circulação no Brasil.

Sobre o autismo, existe uma alta incidência em todas as regiões do mundo, porém a falta de entendimento sobre o transtorno tem forte impacto nos indivíduos, suas famílias e comunidades. Com causas ainda incertas, o TEA não tem cura, mas o diagnóstico e intervenção precoces são imprescindíveis para aumentar as chances de desenvolvimento de habilidades cognitivas importantes para a vida de uma criança com esse tipo de transtorno. A produção de materiais educativos e interativos para o entendimento desse fato por parte da sociedade, é estimulado pela Prefeitura de São Luís e pela organização da Feira do Livro.

 

Texto: Cleudilene Ferraz e Thiago Lima