12ª Feira do Livro de São Luís encerra com vasta programação literária e cultural

Maior evento literário do Maranhão, a FeliS reúne em 10 dias de programação mais de 500 atividades gratuitas que contempla todas as idades, com ações acontecendo simultaneamente em 20 espaços do Multicenter Sebrae até este domingo (25); esta é a sexta edição promovida pelo prefeito Edivaldo

24/11/2018

A 12ª Feira do Livro de São Luís chega ao último dia, neste domingo (25), com fôlego ainda para várias palestras, rodas de conversas e apresentações culturais em várias linguagens. O universo literário do evento conta com mais de 500 atividades gratuitas em 10 dias de programação, que contempla todas as idades, com programação acontecendo simultaneamente em 20 espaços. A FeliS é realizada pela Prefeitura de São Luís, por meio das secretarias de Cultura (Secult) e Educação (Semed), correalização do Serviço Social do Comércio (Sesc) e Serviço de Apoio às Micros e Pequenas Empresas do Maranhão (Sebrae). Esta é a sexta edição promovida pelo prefeito Edivaldo holanda Júnior.

"Chegamos ao último dia da 12ª Feira do Livro de São Luís com uma programação diversa, entre palestras, rodas de conversa, teatro, cinema, dança e apresentações musicais e culturais. O público está comparecendo em peso para aproveitar a programação e também comprar livros com desconto. Toda a equipe das secretarias municipais de Cultura e Educação, correalizadores e parceiros agradecem a oportunidade de proporcionar aos maranhenses um ambiente de incentivo à leitura que é uma vitrine para o Estado", destacou o secretário municipal de Cultura, Marlon Botão.

No domingo (25), às 16h30, a Professora Dr. Wanda Machado (BA) fará a palestra 'Cuidando de Nossas Meninas', com mediação de Gisele Padilha. O pesquisador baiano Eduardo Ribeiro vai conversar com o público sobre 'Racismo Institucional e Religioso' no Café Literário, às 15h. Às 17, tem o bate-papo 'Graça Aranha: O homenageado do ano da ALL, em seu sesquicentenário de nascimento', com os debatedores: Arquimedes Viegas Vale (ALL) e Flaviano Menezes (UFMA), e mediação de Jucey Santana / FALMA.

O stand Sebo no Chão promove um show com a participação dos artistas Paulão, Núbia, banda Vórtice, Rob e Davi, entre outros, às 17h. A performance poética 'Um passarinho me ensinou', de Rosana Fernandes, acontece às 18h. E a programação encerra com chave de ouro com a apresentação do bloco tradicional Os guardiões, às 20h.

CAFÉ LITERÁRIO

O Café Literário foi um espaço pensado desde a primeira edição da Feira do Livro de São Luís e visa reunir intelectuais, escritores e poetas para interação com o público, em uma conversa sobre um tema relacionado ao patrono, homenageados ou à poesia como um todo, sempre no horário tradicional de 17h30. Este ano, a utilização do Café foi diferenciada, com o aproveitamento de toda a carga horária da Feira, das 10h às 22h. "Às vezes, a pessoa entra no Café Literário sem o propósito de assistir ao bate-papo, somente porque é um ambiente aconchegante, com mesas, cadeiras e um café quentinho. E, de repente, se depara com um tema importante e fica curtindo aquela programação", revela a coordenadora da 12ª FeliS, Rita Oliveira.

O ponto alto da programação do Café Literário deste sábado (24), às 17h30, foi o bate-papo 'Corpo e Amor' com Roseana Murray (RJ) e o psicanalista e escritor maranhense William Amorim, com a mediação da Prof.ª Drª Leoneide Maria Brito Martins - UFMA. 'Corpo e Amor' é também o título do livro mais recente da poetisa Roseana Murray, publicado pelo selo Gradiva. A autora tem formação em Língua e Literatura Francesa, começou a publicar em 1980, ganhou vários prêmios e, hoje, é referência em poesia para crianças e jovens, além de publicar também para adultos.

Murray conta que o psicanalista e escritor William Amorim mantém o evento Café Freudiano uma vez por mês no Espaço AMEI, em um shopping de São Luís, e teve a ideia de fazer o encontro na 12ª FeliS. "O tema é muito propício para a psicanálise. Willian falou sobre o viés psicanalítico, a professora Leoneide sobre o aspecto literário/acadêmico e eu li alguns dos meus poemas. O músico Cláudio Lima também se apresentou. Meu livro acabou de sair do forno. Sobre a temática, a gente faz amor com a alma, mas faz com o corpo também. Não posso ficar sem escrever, é o jeito como eu respiro", compartilha.

Há 15 anos, a professora universitária Aldiná Martins Bottentuit conhece a poesia de Roseana Murray, tendo em casa livros como 'Felicidade e Residência no Ar'. Mas somente durante a 12ª FeliS, dentro do X Seminário de Políticas Públicas de Bibliotecas, Leitura e Informação, realizado pela Universidade Federal do Maranhão, ela teve a oportunidade de conhecer pessoalmente a autora.

"Contribui com a organização do seminário e planejamos para a Roseana a mesa redonda sobre letramento literário e a convergência digital. Participei da oficina 'Poesia, Silêncio e Escuta' ministrada por ela e, hoje, vim participar porque queria comprar o novo livro dela. Acho maravilhoso o espaço, que tem música, poesia, pessoas e um café quentinho. Nós precisamos de espaços assim para pensar e, geralmente, nos reunimos também em função de comida e bebida", compartilha.

BALLET

O Palco FeliS, às 15h30, recebeu uma aula pública do programa Dançando e Educando, realizado pela Prefeitura de São Luís, que conta com a primeira-dama Camila Holanda como idealizadora e coordenadora e como coordenadora Débora Buhatem, que também é professora junto com Milliane Moreira e Cléo Júnior.

O programa oferece aulas de ballet clássico no contraturno escolar para alunas de escolas da rede municipal de ensino dos núcleos Centro e Coroadinho. As aulas acontecem na Escola Maria de Jesus Carvalho, no bairro Camboa, que foi estruturada com piso específico, barras e espelho.

"Fui bailarina clássica e isso me trouxe aspectos positivos como personalidade e determinação. Então, pensei em transmitir essa experiência para as escolas da rede municipal de ensino. Falei com o Prefeito Edivaldo, que atendeu ao meu pedido. O projeto existe há dois anos. Toda a oportunidade que temos em eventos da Prefeitura encaixamos apresentações das meninas como forma de socializar a arte", explica a primeira-dama Camila Holanda.

POVOS INDÍGENAS

Intercâmbio de povos é uma expressão que tem tudo a ver com a 12ª FeliS. No Auditório Graça Aranha, às 19h30, foi a vez de Pepkrakte Jakukreikapiti Ronore Konxarti, também conhecido como Cacique Zeca, da Universidade Carajás (PA), trazer sua contribuição sobre o tema 'Povos indígenas e o Brasil multicultural'. Também foram convidados para a palestra Auro Guajajara (MA), a cantora indígena Djuena Tikuna (AM), o secretário de Estado de Direitos Humanos e Participação Popular (Sedihpop), Francisco Gonçalves, e a secretária adjunta de Ensino da Secretaria de Estado da Educação (Seduc), Nádya Dutra. A mediação foi com o jornalista Alberto Júnior.

O Cacique Zeca é estudante universitário e lidera a Aldeia Gavião Kykatejê, localizada próximo à Ilha de Marajó, na Terra Indígena Mãe Maria, no Pará. Ele reflete que o encontro na Feira do Livro é relevante para discutir sobre a preservação da floresta e dos animais contra o desmatamento, da língua nativa contra a imposição do português e fortalecimento da identidade cultural. "É preciso haver uma interação para fortalecimento mútuo entre nós, os indígenas, e a sociedade branca", pondera.

O maranhense Auro Guajajara, cujo sobrenome indica sua etnia, originalmente chamada tenthar, pontuou que "muitas vezes precisamos nos descaracterizar da nossa identidade indígena para sermos aceitos nos ambientes acadêmicos. Eu não sou índio, sou tenthar". Formada em jornalismo, Djuena Tikuna é cantora indígena e afirma que atua nas duas áreas para o fortalecimento da sua comunidade. "Luto para manter a nossa identidade indígena, canto na língua Tikuna", conta.

O fato de o encontro entre os povos Tikuna, Gavião e Tenthar e o poder público ocorrer dentro de uma Feira do Livro é relevante porque se faz um debate a partir da dimensão cultural, que tem um forte componente linguístico de usar a língua nativa. Essa é a opinião do secretário de Estado de Direitos Humanos e Participação Popular (Sedihpop), Francisco Gonçalves.

"Hoje, há um esforço do movimento indígena, não só de construir gramáticas, mas de expressar pela arte a sua língua e o seu modo de vida, assim como pela música, artes plásticas, fotografia e vídeo. Para somar com o movimento, o governo do Estado lançou o Plano Estadual de Políticas Públicas para os Indígenas, que envolve questões culturais, proteção territorial e tem um forte componente de educação, sancionado este mês pelo governador Flávio Dino", informa.

A secretária adjunta de Ensino da Secretaria de Estado da Educação (Seduc), Nádya Dutra, destaca que o governo garante aos povos indígenas o acesso aos ensinos fundamental e médio e que gestores indígenas coordenem escolas indígenas. "Temos dificuldade em encontrar professores com formação mais sólida nas duas línguas. Para isso a Universidade Estadual do Maranhão (Uema) realiza formação de professores em parceria com a Universidade Federal de Goiás", pontua.  A programação do Auditório Graça Aranha encerrou às 20h30, com o pocket show "Tchautchiüane" (Minha aldeia), com a cantora Djuena Tikuna.

Acompanhe toda a programação da 12ª FeliS no endereço http://www.feiradolivrodesaoluis.com.br/index.php.