12ª FeliS incentiva produção literária com lançamentos de 70 livros de autores nacionais e locais

Evento é o sexto realizado na gestão do prefeito Edivaldo e tem mobilizado estudantes, professores e leitores em atividades que prosseguem até este domingo (25), no Multicenter Sebrae

23/11/2018

Compartilhar ideias, opiniões, pesquisa ou inquietações. Tudo que um escritor deseja é que sua obra seja lida e discutida. A 12ª Feira do Livro de São Luís (FeliS) é o maior evento literário do estado e o ambiente ideal para isso. Tanto que estão previstos 70 lançamentos de livros de escritores locais e nacionais até o final do evento, domingo (25), no Multicenter Sebrae. A FeliS é realizada pela Prefeitura de São Luís, por meio das secretarias de Cultura (Secult) e Educação (Semed), correalização do Serviço Social do Comércio (Sesc) e Serviço de Apoio às Micros e Pequenas Empresas do Maranhão (Sebrae). Na gestão do prefeito Edivaldo Holanda Júnior o evento se consolida como espaço de difusão do conhecimento, fomento à leitura e como impulsionador do mercado livreiro. Das 12 edições da Feira, seis foram realizadas na gestão Edivaldo. 

"Os livros são um suporte de transmissão de conhecimento. Convivemos com eles há muito tempo e, mesmo com o advento das novas tecnologias, este suporte não perdeu seu uso. A 12ª FeliS, organizada pela gestão do prefeito Edivaldo, permite ao público conhecer tanto livros quanto autores em momentos de debates, que contribuem para o entendimento do contexto político, econômico e cultural contemporâneo. Convidamos os ludovicenses a aproveitar esta oportunidade de aprender mais sobre literatura", destaca o secretário municipal de Cultura, Marlon Botão.

Pela primeira vez em uma edição da FeliS, dois apenados fizeram lançamentos de livros. Edvandro Pereira Araújo lançou 'Da morte para a vida', que conta sua história de vida; e Raimundo Nonato Oliveira Junior, 'Sentimentos Expressivos, Profunda Emoção da Alma', que traz uma coletânea de poesias sobre as vivências dele com a família e em relações amorosas. A solenidade aconteceu no Café Literário, na sexta-feira (23), às 15h, e contou com a presença do subsecretário de Estado da Administração Penitenciária, Rafael Velasco, da secretária adjunta de Atendimento e Humanização Penitenciária, Kelly Carvalho, e do representante da Comissão Brasileira de Bibliotecas Prisionais, Carlos Wellington Soares Martins.

Os reeducandos que lançaram os livros fazem parte do Programa Remição de Pena pela Leitura, que busca reduzir a pena de presos por meio da leitura sistematizada de obras literárias, clássicas, científicas e/ou filosóficas. "Foi uma grande emoção ter meu livro publicado. Foi uma maneira de eu conseguir me regenerar emocionalmente. A educação tem a possibilidade transformar o ser humano", compartilhou Raimundo Nonato Oliveira Junior. Já Edvandro Pereira Araújo destacou que "é motivo de honra o lançamento. Nunca me passou pela mente estar aqui. Agradeço à equipe que nos ajudou".

A Secretaria de Estado da Administração Penitenciária tem um stand na 12ª FeliS, que apresenta o projeto Biblioteca Interativa, com educação voltada à pessoa privada de liberdade. O subsecretário de Estado da Administração Penitenciária, Rafael Velasco, afirma que o lançamento é o ápice de um projeto de educação no sistema penitenciário, que visa elevar o nível educacional dos presos para a sua reintegração à sociedade. "É singular este momento porque agora o Edvandro e o Raimundo integram o rol de escritores maranhenses e são exemplo para os demais apenados, pois se aproximam do ideal de cidadão produtivo", revela.

Ainda na tarde de sexta (23), foi realizado, na Casa do Escritor, o lançamento do livro 'Josué Montello: entre Memória, ficção e cultura', com a presença dos organizadores Joseane Souza, Silvana Pantoja e Dino Cavalcante, que contaram um pouco de como surgiu a ideia do livro e como foi realizado. Os organizadores ressaltaram algumas obras do autor que são pouco conhecidas e que se encontram no livro. O evento abordou a importância de Josué Montello para a literatura maranhense, comentando sobre suas obras mais importantes e de como o autor homenageava o Maranhão, fazendo com que a maioria das suas obras se passassem no estado.

"O livro surgiu ano passado, no ano centenário do autor, que tivemos o prazer de realizar um evento na Casa da Cultura e, a partir disso, surgiu a vontade de reunir os trabalhos que falam sobre as obras e vida dele", explica a organizadora, Joseana Souza.

PALESTRAS 

No último dia da Feira do Livro, neste domingo (25), às 10h, o Auditório Graça Aranha recebe a palestra 'Entre a sociologia do controle e a criminologia marginal: Insurgência (Afro) epistêmica sobre o sistema de controle racial/social brasileiro', com o vencedor do Prêmio Jabuti e mestre em Direito Luciano Goes (SC) que já lançou livro no evento. No mesmo espaço, às 16h30, a professora dr. Wanda Machado (BA) fará a palestra 'Cuidando de Nossas Meninas', com mediação de Gisele Padilha.

O pesquisador baiano Eduardo Ribeiro vai conversar com o público sobre 'Racismo Institucional e Religioso' no Café Literário, às 15h. Às 17, tem o bate-papo 'Graça Aranha: O homenageado do ano da ALL, em seu sesquicentenário de nascimento', com os debatedores Arquimedes Viegas Vale e Flaviano Menezes com mediação de Jucey Santana.

Neste sábado (24), às 19h30, no Auditório Graça Aranha, haverá uma conversa sobre 'Povos indígenas e o Brasil multicultural', com os convidados Pepkrakte Jakukreikapiti Ronore Konxarti – Cacique Zeca (Universidade Carajás - PA) e a cantora indígena Djuena Tikuna (AM). A mediação fica por conta do antropólogo João Damasceno Figueiredo. Às 20h30, acontece o pocket show "Tchautchiüane" (Minha aldeia), com Djuena Tikuna (AM).

Roseana Murray (RJ) e Willian Amorim debatem sobre 'Corpo e Amor' no Café Literário, às 17h30, sob a mediação da prof.ª drª Leoneide Maria Brito Martins. No Auditório Punga dos Saberes, às 19h, acontece o lançamento do livro '130 anos de (des)ilusão: a fama abolicionista em perspectiva desde olhares marginalizados', do autor Luciano Goes (SC)

 ENSINO

'Produção e Circulação de livros de Matemática no MA e PA no séc. XIX e XX' foi o tema da palestra proferida pelo paraense Iran Abreu Mendes, no Auditório Graça Aranha, às 19h30, na sexta-feira (23), com mediação da prof.ª drª. Waléria de Jesus Barbosa Soares e prof. dr. Carlos André Bogéa Pereira. Foram abordados fatos históricos dos séculos XVIII e XIX, quando começaram as primeiras produções científicas de Matemática no Maranhão e no Pará e quando a disciplina começou a ser inserida na grade de ensino das escolas.

"Antes de a Matemática ser introduzida nas escolas, os profissionais que trabalhavam com isso eram de áreas próximas ao que chamamos hoje de Engenharia e Filosofia, vindos dos setores religiosos ou militares, com formação para a navegação e a defesa. Na segunda metade do século XIX, houve o processo de disciplinarização da Matemática, com um formato para a educação do cidadão comum para além das quatro operações. Com o surgimento da República, houve a criação das escolas normais, dos Liceus e, posteriormente, das faculdades", pontua.

Um bate-papo sobre o futuro do sistema de ensino. Esse foi o foco da palestra 'Educação 4.0', ministrada pelo engenheiro eletricista que se encantou pela sala de aula Fernando Granato (PR), no Auditório Casa do Professor, às 19h. Durante sua fala, o palestrante fez um recorte da educação em novos modelos educacionais adequados às transformações que a 4ª Revolução Industrial trouxe com o advento da internet.

"A maioria das salas de aulas segue os mesmos moldes da educação necessária durante a Revolução Industrial, com a máquina a vapor, em que o foco estava no professor e na repetição de funções/conhecimento. É necessário trabalhar com metodologias que estejam centradas no aluno e visem desenvolver competências como resolução de problemas, criatividade e gestão de pessoas, que são cobradas pelo mercado, mas não são ensinadas em escolas e até em faculdades", argumenta.

VISITA

Alunos do Centro Educacional Eurípedes Barsanulfo, do munícipio de Santa Inês, fizeram um passeio diferente na sexta-feira (23). A escola premiou com uma visita à Feira do Livro de São Luís 18 alunos vencedores da 1ª Olimpíada de Redação realizada pela instituição.

Na ocasião, os alunos foram presenteados pela coordenação da 12ª FeliS com livros, no espaço Casa do Escritor. Aluna do 7º ano, Isadora Ferreira tem 12 anos e compartilha que é gratificante ter obtido êxito na Olimpíada.

"Várias pessoas participaram da Olimpíada e não foi fácil conseguir um bom resultado. Estou muito feliz porque sou uma das representantes da minha turma que teve a oportunidade de participar da Feira do Livro. O gênero literário que mais gosto é a literatura de cordel, porque chama a atenção para as rimas, expressar os sentimentos. Já fiz um cordel falando sobre minha cidade em um projeto da escola", explica.