Cultura popular tem espaço garantido na 12ª Feira do Livro de São Luís

Evento, que encerra neste domingo (25), destinou um espaço especial para as discussões acerca das manifestações, que também se apresentaram na Feira, iniciativa da Prefeitura e que pelo sexto ano é realizada pela gestão do prefeito Edivaldo

22/11/2018

Este ano a cultura popular ganhou maior destaque na 12ª Feira do Livro de São Luís (FeliS) com um ambiente inteiro para discussões e debates sobre o tema em uma iniciativa pioneira da Prefeitura de São Luís. O Auditório Punga de Saberes, mesmo nome do projeto da Secretaria Municipal de Cultura (Secult), em parceria com a Secretaria Municipal de Educação (Semed), é um local onde os saberes populares afloram e são valorizados. A FeliS, que este ano está na 12ª edição, sendo a sexta realizada pela gestão do prefeito Edivaldo, ocorre até domingo (25) com programação gratuita no Multicenter Sebrae. 

O secretário municipal de Cultura, Marlon Botão, falou sobre o projeto permanente da Secult, que leva oficinas de tambor de crioula para as escolas do município. "O tambor de crioula é tipicamente maranhense, então o Punga veio para que se tenha mais conhecimento sobre o tambor de crioula e para criar entre os alunos uma identificação com ele, criando a convicção de que essa importante manifestação não vai se extinguir. O tambor de crioula é Patrimônio Cultural Imaterial Brasileiro desde 2007 e é importante levar essa manifestação ao maior número de pessoas. É importante fortalecer o sentimento de pertencimento, fortalecer essa expressão cultural e se identificar com isso para conquistar cada vez mais espaço na sociedade e não deixar morrer esse legado".

"O Espaço Punga de Saberes é uma das novidades da 12ª FeliS, em que tratamos da valorização da cultura popular maranhense, das manifestações que estão desaparecendo e do tambor de crioula que está com 11 anos de registro como Patrimônio Imaterial do Brasil, e que precisa mais uma vez ratificar as suas raízes e o fortalecimento dessa manifestação tão importante para São Luís, para o Estado e para o Brasil", destacou a coordenadora do Punga de Saberes, Graça Sousa.

O Auditório recebe neste sábado (24), às 15h30 a roda de conversa 'É uma Dança Portuguesa com Certeza?', com participação de Tânia Cristina Costa Ribeiro, Lilian de Jesus Almeida, Tácito Borralho, e mediação de Márcio Almeida. Às 19h, acontece o lançamento do livro '130 anos de (des)ilusão: a fama abolicionista em perspectiva desde olhares marginalizados', do escritor Luciano Goes – vencedor do Prêmio Jabuti e mestre em Direito (SC).

Josie Bastos estava visitando a 12ª FeliS com seu marido Igor Viegas e a filha Olga Bastos, de apenas 1 ano e 10 meses. A família aproveitou para dançar ao som do tambor Mimo de São Benedito, da Ivar Saldania, que tem mais de 40 anos de tradição e encantou os visitantes da Feira. "Nós somos ludovicenses e amamos a cultura, sempre vamos ao Centro Histórico e levamos nossa filha. Ela gosta muito, se diverte. Desde cedo incentivamos ela a apreciar a cultura, assistir estas manifestações. Também lemos para ela sobre o tema", contou Josie Bastos.

'Os Desafios e Resultados na Caminhada dos Mestres do Tambor de Crioula' foi o tema do bate-papo que aconteceu no Auditório Punga dos Saberes, nesta quinta-feira (22), às 15h, e contou com a participação de Mestres de Tambor de Crioula e alunos da Unidade de Educação Básica Uruati, localizada no bairro Ananindeua, em São Luís. 

Contribuíram para o bate-papo o mestre do tambor de crioula Boa Esperança, José Ribamar Tavares, conhecido como José Banana, a presidente do tambor de crioula Turma dos Crioulos, Rosa Barbosa, e a integrante do comitê Gestor do Tambor de Crioula, Arizete Pacífico. "Danço tambor desde os cinco anos de idade. O povo lá de casa gosta de tambor, está no sangue. Minha bisneta de um ano e seis meses já participa", compartilha a presidente do Tambor de Crioula Turma dos Crioulos, Rosa Barbosa.

CONVIDADO NACIONAL

O Café Literário foi palco para as belas poesias do cordelista paraibano Edgar Diniz, com uma conversa sob o tema 'O Brasil Nordestino pela Literatura de Cordel', mediada pelos escritores maranhenses Gorete Pereira, Moises Nobre e Raimunda Frazão. Atualmente ele residente em Recife (PE) e, na oportunidade, falou sobre o 'Educando em Cordel' – projeto dele que leva cordel para escolas, mesmo título de seu livro (2016), além de ter recitado algumas poesias. "O projeto é desde 2006 e já rodamos por vários lugares, atingimos muita gente. Fazemos um trabalho na região metropolitana e em interiores de Recife. Agora mudamos o foco das escolas para as unidades prisionais, em que levamos cordel para lá com o programa 'Remissão de pena pela leitura'", explicou.

Edgar Diniz é poeta, cordelista, escritor e professor lotado na Gerência Regional Metropolitana Norte, da Secretaria de Educação do Estado, com oficinas de Literatura de Cordel. Licenciado em História com pós-graduação em História do Nordeste. Desde 2006 atua na área da educação com aulas de literatura de cordel, com o projeto 'Educando em Cordel' que visa as escolas, a arte da poesia e a possibilidade de utilizá-la como forma pedagógica.

12ª FELIS

A 12ª edição da Feira do Livro de São Luís (FeliS) acontece de 16 a 25 de novembro, no Multicenter Sebrae, das 10h às 22h. Este ano traz como tema "A Brasilidade na Cultura Contemporânea" e o Patrono será Graça Aranha, escritor maranhense considerado um dos articuladores do movimento que renovou a literatura e a cultura brasileira: A Semana de Arte Moderna.

A programação é toda gratuita e conta com mais de 500 atividades, dentre elas 22 escritores nacionais convidados, lançamentos de livros, palestras, rodas de conversa, mesa redonda e conferências, seminários, plenárias, sessões de cinema, bate-papo literário, workshop, oficinas e minicursos, intervenções artísticas, espetáculos teatrais, performances poéticas, contações de histórias, apresentações culturais, exposições, pocket shows e visita de escritores a escolas da rede pública.

O maior evento cultural e de fomento à leitura do Estado é uma realização da Prefeitura de São Luís, por meio das secretarias de cultura (Secult) e educação (Semed), correalização do Serviço Social do Comércio (Sesc) e Serviço de Apoio às Micros e Pequenas Empresas do Maranhão (Sebrae), conta com patrocínio da Vale e Companhia Maranhense de Gás (Gasmar), apoio do Governo do Maranhão, Universidade Federal do Maranhão (UFMA), Universidade Estadual do Maranhão (Uema), Associação dos Livreiros do Maranhão (Alem) e empresa Potiguar.